A defesa antiaérea brasileira frente às novas ameaças representadas pelos Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotados (SARP) atuais
A crescente ameaça nos conflitos atuais proporcionada pelos Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotados (SARP), popularmente conhecidos como Drones, voltou os olhos do mundo para a necessidade de desenvolvimento bélico e doutrinário de meios capazes de se contraporem a tais equipamentos. O emprego de SARP em conflitos não é recente, muitos são os exemplos de uso, principalmente por parte das grandes potências mundiais, de equipamentos para levantamento de inteligência e ataques estratégicos em conflitos como a Guerra do Iraque ou os combates na Síria. Contudo, a atual situação traz o aumento da capacidade tecnológica ao mesmo tempo em que os equipamentos ficam menores como fatores diferenciais, que, por sua vez, exigem novas formas de abordagem dos sistemas de defesa dos exércitos.
Contrapor-se a um SARP, como o RQ-4 Global Hawk, produzido pela empresa americana Northrop Grumman, não difere dos modelos doutrinários utilizados na defesa antiaérea contra ameaças tradicionais, como caças e bombardeiros, havendo apenas a peculiaridade da necessidade de radares com maior cobertura e armamentos com maior alcance, como sistemas de média e grande altura/médio e grande alcance. Entretanto, o atual uso de SARP produzidos para emprego civil e de SARP descartáveis, como os equipamentos fabricados com papelão e empregados na Guerra da Ucrânia, traz a necessidade de atualizar o funcionamento da estrutura sistêmica de defesa antiaérea. Essa atualização não significa abandonar ou modificar o modelo já existente, mas agregar novas capacidades e visualizar como essas serão empregadas de forma integrada e harmônica dentro da sistemática de defesa antiaérea.
Em termos de defesa antiaérea brasileira, observa-se que a estrutura capitaneada pelo Comando de Defesa Antiaérea do Exército (Cmdo DAAe Ex) e executada pelos diversos Grupos de Artilharia Antiaérea (GAAAe) e Baterias de Artilharia Antiaérea (Bia AAAe), espalhados pelo território nacional, é eficaz contra essa ameaça. A capacidade de alguns dos armamentos utilizados pelo Exército Brasileiro como o sistema de mísseis RBS70 NG e a Viatura Blindada de Combate Antiaérea Gepard, a qual possui dois canhões 35 mm, garantem uma eficaz proteção das tropas e instalações contra SARP com baixíssima capacidade de reflexão das ondas radares, como é o caso, por exemplo, do SARP civil Matrice, produzido pela empresa DJI, que, de acordo com a classificação utilizada pelo Exército Brasileiro, pertence à categoria 1. Adestramentos desenvolvidos pela Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe) mostraram na prática a eficácia do material RBS70 contra alvos aéreos pertencentes à categoria 1, assim como diversos outros exemplos de utilização da viatura Gepard contra o SARP Shared, de origem iraniana, durante a Guerra da Ucrânia, também corroboram o emprego desse armamento. Entretanto, observa-se que a defesa contra aeronaves menores, classificadas na categoria 0, utilizadas principalmente para realizar reconhecimentos em níveis táticos e ataques pontuais a equipamentos e pessoal específico, requer um incremento de capacidades para a defesa antiaérea, visto que a possibilidade de detecção e de engajamento desses SARP fica comprometida pela pequena reflexão das ondas incidentes em sua fuselagem.
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