A cooperação civil-militar em proveito do desenvolvimento de tecnologias críticas

As consequências do desenvolvimento científico-tecnológico são bem conhecidas: inovações, crescimento econômico, soberania e proeminência nas relações internacionais para os países que dominam e exploram conhecimentos científicos de vanguarda; e, para os demais, modesto crescimento econômico, precário desenvolvimento social e incapacidade de prover a defesa nacional pelos seus próprios meios, condicionando-se à obtenção dos meios necessários à garantia da soberania desses países ao estabelecimento de arranjos geopolíticos favoráveis.

Ao impulsionarem a fronteira do conhecimento e gerarem tecnologias disruptivas, os países inovadores assumem papel preponderante no campo político, econômico e militar, estabelecendo as regras do sistema internacional e moldando a distribuição da riqueza. No tocante à expressão militar do poder nacional, as nações proeminentes buscam auferir autonomia tecnológica em suas capacidades militares, bem como dificultar o domínio de tecnologias críticas e sensíveis pelos países emergentes. Esse jogo é compreendido como uma manifestação natural do sentido de preservação do status quo e influencia o movimento das peças do tabuleiro geopolítico. Nesse mister, destacam-se cerceamentos tecnológicos, cujas ações visam aprofundar ou ao menos manter as assimetrias tecnológicas.

Com o passar do tempo, incontáveis avanços tecnológicos, originalmente destinados ao desenvolvimento de produtos e sistemas militares, “transbordaram” para outros setores, gerando inovações de ruptura com enormes benefícios para a sociedade. Particularmente, no século XX, sofisticadas pesquisas e demandas de interesse militar impulsionaram inovações e o crescimento econômico dos países pioneiros.

Os grandes avanços científicos e tecnológicos que lastreiam a Era do Conhecimento e a Quarta Revolução Tecnológica vêm impactando visceralmente todos os setores da sociedade e intensificando o processo de “transbordamento às avessas”, no qual invenções e inovações destinadas ao mercado convencional são robustecidas, adaptadas e integradas para gerar novas capacidades na área de Defesa. Nesse novo paradigma, a dualidade tecnológica e a maior integração entre academia, governo e indústria passam a assumir papel importante, ensejando oportunidades tanto para a Defesa quanto para as áreas afetas ao mercado convencional.



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